Artigo: A morte do ego

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Foto: Cena do Filme Tommy (1975, Reino Unido, Direção: Ken Russell)

Um dos maiores desafios contemporâneos está em manter sempre viva a capacidade de mudar. A ópera rock ‘Tommy’, do The Who, alerta para isso. Primeiro trabalho musical explicitamente chamado desta maneira, foi composta pelo guitarrista, Pete Townshend, com participação do baixista John Entwistle e uma canção antiga de blues do músico Sonny Boy Williamson II.

A narrativa é sobre Tommy. Seu pai é assassinado pelo amante da esposa quando, dado como morto na Primeira Guerra Mundial, retorna. O menino de sete anos presencia a cena por meio de um espelho e se torna surdo, cego e mudo. Sofre diversos tipos de abusos e bullying, mas revela uma habilidade de jogar fliperama que lhe dá fama mundial.

Ele recupera o pleno funcionamento dos sentidos quando a mãe quebra o espelho que mostra a sua imagem. Torna-se então uma espécie de guru dos jovens, mas suas decisões autoritárias e a exploração dos familiares leva seus fãs a o destruírem. Desiludido, volta a fechar-se em si mesmo.

O grande ensinamento que essa história, lançada em 1969, traz para 2018 está em nos deixar em estado de alerta para o risco de não nos atentarmos às mudanças. Cada um, por mais limitado que possa parecer às vezes, tem talentos insuspeitados. Fraquezas podem esconder fortalezas que lideranças conscientes podem trazer à tona.

Por outro lado, a vaidade e o excesso de confiança podem resultar em desastre. Apenas com a morte do ego, cada ser humano e a arte, de modo geral, podem atingir o seu esplendor. ‘Tommy’ revela uma assombrosa e até assustadora atualidade quando ouvida como uma espécie de grito de desespero pela construção de uma sociedade melhor.

E não se esqueça de ver o filme ‘Tommy’, de Ken Russell de 1975!

Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura, é Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. 

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