Bairro Batistada, em Rio das Pedras, homenageia seu Padroeiro

Celebração aconteceu na noite de segunda-feira e contou com a presença de centenas de fiéis.

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O Padre Santo Alves Macedo conduziu as celebrações a São João Batista. Foto: Adilson Zavarize

Os devotos de São João Batista comemoraram na noite de segunda-feira o dia do seu padroeiro, como é feito a praticamente dois séculos e meio, no Bairro Batistada, em Rio das Pedras, no interior paulista.

A celebração, que chegou à sua 247ª edição, uma das mais antigas do Estado de São Paulo, sempre ocorreu na véspera do dia do santo desde o século XVIII, e teve neste ano, sua realização no dia 24, quando os fiéis acompanharam a realização da Missa do Padroeiro e a procissão até o Ribeirão Batistada, onde o Padre Santo Alves Macedo procedeu com a lavagem da imagem de São João Batista trazida pela família Batista, de Portugal, e na sequência, a benção a todos os presentes. Após o retorno, no Salão Paroquial, aconteceu a partilha do Bolo de São João Batista.

Centenas de fiéis foram pedir a benção ao Padroeiro. Foto: Adilson Zavarize

O Bairro Batistada é mais antigo que a fundação de Piracicaba e pertencia ao Município até meados de 1938, quando foi desmembrado e passou a pertencer ao Município de Rio das Pedras, segundo dados históricos (ver texto abaixo).

Confira as imagens

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As festividades deste ano seguem no próximo sábado, dia 29, seguindo a tradição com a famosa quermesse com muitos quitutes, e tem seu encerramento no domingo com um delicioso almoço.

Sobre o bairro Batistada

O Bairro Batistada está localizado no Município de Rio das Pedras, próximo à divisa com o Município de Piracicaba.

O Batistada é o único bairro que foi desmembrado da cidade de Piracicaba, através do Decreto 9775 de 30/11/1938.

Segundo a tradição familiar, o Batistada é mais antigo do que a própria cidade de Piracicaba. Os registros mostram que em 1763, os irmãos da família Batista, foram degredados de Itu para Piracicaba. A pena de degredo foi aplicada devido a uma conversa ao pé do fogo, na varanda de uma das casas de Itu. Entre conversas e risos, o Capitão Mor Salvador Jorge Velho se enfureceu, e como tinha costume de aplicar pena de degredo por qualquer motivo que achasse insolente ou intolerante, puniu a família Batista.

Os irmãos Batista tomaram de seus pertences, incluindo alguns de estimação da família, como um tacho e uma bacia de cobre, e como devoção uma oratória com as imagens de São João Batista e Santana, relíquias da capela do Batistada, que tem hoje mais de 240 anos.
A família Batista desembarcou inconformada em Piracicaba, e resolveu abrir um “picadão” que os levasse de volta para Itu. Este é o chamado Caminho do Oeste, por onde o café, o chá, o milho e as demais produções da região eram escoadas. De Itu se ia à São Paulo e dali para Santos.

À beira do Ribeirão Batistada, que brota na antiga Fazenda Varginha, hoje Campus Taquaral UNIMEP, as moças da família Batista se estabeleceram, enquanto que os homens seguiram na empreita do picadão. Alcançaram Capivari, onde foram aconselhados por posseiros a não seguirem com o propósito, caso contrário seriam mortos pelo Capitão Mor. O conselho pouco valeu, pois chegaram em Itu. Ao saber do retorno dos degregados, o Capitão Mor mandou que os prendessem, ressabiando-se de que teriam matado o responsável pela embarcação que os levara para Piracicaba. Ficaram detidos, até que este apareceu são e salvo.
Assim, do rancho estabelecido pelos irmãos Batista nasceu o Bairro Batistada.

Texto e fotos por: Adilson Zavarize/BuskakiNews

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