Construindo Cidadania: Experiência vivida e dividida (parte 1)

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Foto: Roberto Ravagnani

Quando – 3 a 11 de agosto de 2018.
Onde – País – Peru / Província de Loreto / Cidade – Iquitos / Bairro – Belém / Selva Amazônica.

O bairro de Belém tem 15.000 habitantes, que vivem basicamente do comércio de produtos alimentícios e pescado, o bairro fica às margens do Rio Amazonas e vive dele, apesar dele. O bairro é todo construído para ficar 4 a 5 meses sobre as águas do rio no período das chuvas de janeiro a maio. Nesse período, os meios de transporte são o barco, as voadeiras e principalmente a canoa artesanal. No restante do ano, na época seca, o transporte é feito por moto taxis ou o Tuc Tuc, uma moto adaptada para carregar além do condutor, mais 3 pessoas como um riquixá, que existem em grande número por lá, são muitos mesmos, 50.000 segundo um condutor a quem perguntei.

Todas as casas são construídas nas alturas, umas poucas de alvenaria, em sua grande maioria de madeira, são palafitas, uma ou outra são flutuantes e bem rudimentares.

Por sua posição e já sabida condição, o poder público atua de forma muito precária e de forma meio desordenada, pouco é feito pelo bairro. Algumas ruas, principalmente na parte chamada de alta Belém, onde não inunda, são pavimentadas, porém a grande maioria é de terra batida e com o calor, seca e poeira, na chuva, lama e em todo tempo com “línguas” de esgoto a céu aberto.

Banheiros não existem, pois não existe água encanada e como dito acima, não existe rede de esgoto. Energia existe, mas gás encanado óbvio que não, nem botijões também, pois são caros demais para esta população, por isso cozinham com carvão ou lenha.

Comem de tudo um pouco, mas a alimentação básica é o pescado, o arroz e o plátano (nossa banana), durante todo o dia nas ruas você vê mulheres cozinhando estes alimentos e todos se alimentando. Mas algumas variações existem pela proximidade da floresta, ovos de tartarugas, as próprias tartarugas, macacos, cobra, frutas tropicais bem exóticas e alguns insetos, tudo vai a mesa que parece farta, mas para nós, difícil de ser digerida.

Esta é a cena a ser construída em nossas mentes, terra, esgoto, animais soltos, cozinha na rua e alimentação também, prato cheio para as doenças infecto contagiosas.

Este foi o cenário que encontrei, junto vieram as recomendações na aula inicial: água somente comprada e lacrada (muita água); comida somente em restaurantes no centro da cidade; não passem as mãos nos olhos e bocas; álcool gel várias vezes ao dia; protetor solar; protetor para a cabeça e para o nariz (lenço).

Selva, temperatura alta, umidade muito alta, muita caminhada, muito trabalho, crianças e adultos carentes de afeto, de conversa, de atividades, muitos passam os dias ouvindo música (Reggaeton) em alto volume, bebendo e dormindo em redes ou no chão mesmo. Faltam empregos, falta trabalho, falta higiene, falta dignidade, falta vontade.

Os que trabalham, vendem de tudo um pouco, negociam tudo, o que rende alguns Soles (Sol – Moeda Peruana) por dia, mas não existe ou não vi pelo menos, pedintes, mesmo sendo Iquitos uma cidade turística, a segunda com maior movimento no país. Grande parte das pessoas buscam fazer algo em troca de alguns trocados.

Acho que isto conta um pouco sobre o que e como é o lugar para onde viajei para aprender e praticar trabalho voluntário. Na próxima parte começo a falar das experiencias vividas.

O autor é Roberto Ravagnani, palestrante, jornalista (MTB 0084753/SP), radialista (DRT 22.201), conteudista e Consultor de voluntariado e responsabilidade social empresarial. Voluntário como palhaço hospitalar há 18 anos, fundador da ONG Canto Cidadão, consultor associado para o voluntariado da GIA Consultores para América Latina, sócio da empresa de consultoria Comunidea, curador do site varejo consciente e conselheiro Diretor da Rede Filantropia.  www.robertoravagnani.com.br

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