Ensino Técnico auxilia no crescimento de trabalhador que está inserido mercado paulista

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) comprova que existem lacunas deixadas pela Educação Básica que agravam as dificuldades do país se desenvolver econômica e socialmente.

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Marcelo Olívio fez cursos de especialização e hoje atua como gestor. Foto: Agência do Rádio mais

A carreira de Marcelo Olivio na área de automação começou em uma empresa da indústria de São Paulo, mesmo sem ter nenhuma qualificação. Com o tempo, o trabalhador entendeu que precisava se especializar e conhecer mais a fundo os processos da empresa, pois muitas vezes, ficava para trás. Então ele decidiu recorrer ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) em São Caetano, no ABC Paulista. Aos 31 anos, ele se tornou aluno do curso de tecnologia em mecatrônica industrial. Em 2010, concluiu o curso, e teve ainda mais vontade de aprender.

“Eu já venho desde o técnico, e eu já conheci meu primeiro emprego, que é o que eu estou até hoje. E depois fiz o tecnólogo, consegui cargos de liderança e chefia. Hoje sou um gestor da área”, conta Marcelo, que aos 42 anos olha para trás e vê o quanto cresceu na empresa, a partir do momento que decidiu ter mais qualificação na área.

Marcelo Olivio percebeu que os conhecimentos básicos não eram suficientes para que ele crescesse no mercado de trabalho, e por isso, viu a necessidade de progredir e se destacar. O gerente educacional do SENAI de São Paulo, João Ricardo Santa Rosa, explica que o Ensino Técnico é resposta para jovens que saem do Ensino Médio e não têm perspectiva de emprego.

“A gente precisa, de fato, melhorar a qualificação profissional dos jovens. Uma coisa importante dentro disso seria que os jovens na Educação Básica, que compreende os ensinos fundamental e médio, eles pudessem também passar por um processo de melhoria. Isso facilitaria o trabalho da qualificação profissional à medida que esses estudantes já teriam uma base para que a educação profissional pudesse ser efetuada”, explica Santa Rosa.

Lacunas na Educação Básica

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) comprova que existem lacunas deixadas pela Educação Básica que agravam as dificuldades do país se desenvolver econômica e socialmente. Assim, as propostas para o Ensino Técnico são de melhorar e assegurar o futuro dos jovens no mercado de trabalho.

“Nós temos alguns problemas na educação de base de uma forma geral, não temos incentivos para que as crianças consigam digerir a matéria, o que é ciência, entender que não são coisas fora de nós. Se buscarmos todas essas questões em relação à ciência e tecnologia, vamos viabilizar novos entendimentos”, explica Débora Barem, professora da Universidade de Brasília (UnB), que defende novos métodos e propostas para a melhoria da Educação Básica brasileira.

O diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, segue na mesma linha de Barem. Para ele, o Brasil está muito aquém em relação a outros países como Alemanha, Áustria e Suíça, que são desenvolvidos e têm educação de qualidade. Além de preparem melhor os estudantes para o mercado de trabalho.

“Precisamos fazer um grande esforço se queremos ajudar a agenda de inclusão social para o jovem brasileiro melhorar a produtividade do trabalho, para melhorar a possibilidade dos jovens se inserirem no mercado de trabalho, construírem seus projetos individuais e certamente gerar mais riqueza, bem-estar, competitividade para as empresas e para o país”, afirma Lucchesi.

Nova era da indústria

Os setores que mais demandam mão de obra para a indústria são construção civil, responsável por 22,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, e alimentos, responsável por 11,1%.

Um dos avanços que tem fortalecido as exportações da indústria paulista é a Indústria 4.0, que vem sendo observada desde 2010 como avanço nas tecnologias contemporâneas. Entre as ferramentas mais recentes existe, por exemplo, a rastreabilidade – que é a possibilidade de decifrar qual é o ciclo de vida de determinado produto, desde a criação até o descarte.

Além disso, foram criadas outras ferramentas, como a visão artificial e a cloud computing, que é uma nuvem online utilizada como armazenamento de dados e arquivos. Todas essas ferramentas têm como objetivo aumentar o ganho de produção, apresentar transparência nos negócios, aumentar a segurança e reduzir os erros. Além de promover a conservação ambiental e o aumento da qualidade de vida.

Por Sara Rodrigues
Agência do Rádio Mais

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