Integrar para preservar: especialistas defendem trabalho conjunto para garantir a conservação das harpias

Workshop em Foz do Iguaçu reúne pesquisadores de várias instituições que estudam a espécie.

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Hárpia Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

Especialistas de diversos estados brasileiros e de outros países estão reunidos em Foz do Iguaçu, de 8 a 11 de outubro, para debater estratégias para a conservação da harpia ou gavião-real (Harpia harpyja), a maior ave da América Latina e uma das maiores do planeta.

O primeiro Workshop para Conservação Integrada da Harpia ocorre no Parque Nacional do Iguaçu (PNI), com atividades também no Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu Binacional.

“A harpia é um ícone, está no brasão do Estado do Paraná. Esse encontro é a oportunidade de, juntos, traçarmos uma estratégia para que essa ave possa voltar a ser avistada na natureza”, disse o superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Ariel Scheffer, durante a abertura oficial do evento nesta terça-feira (9), no PNI. “Será essencial estabelecermos parcerias para isso, e a Itaipu está à disposição para colaborar no que for possível”, garantiu.

Ivan Baptiston, chefe do Parque Nacional do Iguaçu, reforçou a importância da luta contra a caça predatória de todas as espécies. “Não é possível reintroduzir as harpias sem o conhecimento técnico, e por isso é importante esse tipo de encontro. Porém, não adianta reintroduzi-las sem que haja um trabalho de conscientização contra a caça”, enfatizou.

A capacitação contínua de instituições e parceiros para a conservação da espécie foi um dos temas de destaque no evento. Segundo a pesquisadora Tânia Sanaiotti, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, coordenadora do Projeto Harpia, “envolver a comunidade e conscientizar a respeito da importância de preservar é essencial para a segurança dos animais”.

A especialista, considerada uma autoridade no estudo dessa espécie, fez uma apresentação geral sobre a situação do Projeto Harpia, que acaba de completar 20 anos. A palestra incluiu tanto aspectos da natureza do animal como o histórico dos estudos sobre a harpia na América Latina, a atual situação de monitoramento de espécimes, e os desafios a enfrentar.

Desafios

Após a abertura do evento, profissionais de diversas instituições de pesquisa falaram sobre o que vem sendo realizado em cada um desses espaços. Representando o Refúgio Biológico Bela Vista, o biólogo Marcos de Oliveira, da Divisão de Áreas Protegidas de Itaipu, apresentou um pouco do histórico e os resultados do programa de reprodução em cativeiro desenvolvido há 18 anos no RBV.

Marcos de Olveira, biólogo. Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

“O segredo é bom manejo e paciência”, afirmou Marcos. No começo, não foi fácil: havia poucas informações sobre a forma correta de lidar com o animal. Com o tempo, e o apoio de outras instituições e especialistas, o programa se desenvolveu. O plantel atualmente conta com 32 aves, sendo 22 nascidas no próprio Refúgio.

Embaixadoras

Ainda que o objetivo seja ver as harpias livres na natureza novamente, os animais mantidos em cativeiro têm um importante papel na preservação da espécie. Além da questão genética, de permitir o armazenamento de material para reprodução em caso de extinção, eles servem como “protetores” dos espécimes em liberdade.

Filhote de Hárpia Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

“As harpias mantidas sob cuidados humanos são como embaixadoras para a sensibilização [ao tema]”, afirmou Yara Barros, chefe da Divisão de Conservação do Parque das Aves. “A partir delas, a população pode se conscientizar a respeito da importância da conservação da espécie e das ameaças que as aves enfrentam”.

O 1º Workshop para a Conservação Integrada da Harpia conta com o apoio do Parque Nacional do Iguaçu, Instituto Chico Mendes (ICMBio), Parque das Aves, Cataratas do Iguaçu S.A., Instituto Conhecer e Conservar, Macuco Safari, Beauval Nature e Itaipu Binacional.

Por Divisão de Imprensa
Itaipu Binacional

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