Medea Mina Jeje será encenado nesta sexta-feira no Sesc Piracicaba

Espetáculo solo traça um paralelo entre a tragédia grega Medeia e a escravidão no Brasil. Ingressos online ou na bilheteria: R$ 17, R$ 8 e R$ 5.

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Foto: Julieta Bacchin

Medea Mina Jeje é o poema-pranto de uma mulher negra, escravizada na Vila Rica de Nossa Senhora de Pilar de Ouro Preto, nas Minas Gerais do século XVIII. A montagem traça um paralelo entre a tragédia do grego Eurípedes (480-406 A.C) e a escravidão no Brasil. Na história, a personagem sacrifica o próprio filho a fim de livrá-lo do penoso trabalho nas minas de ouro que moveram a economia do país durante séculos. A programação estará no Teatro do Sesc Piracicaba no dia 14 (sexta-feira), às 20h. Os ingressos já estão à venda pelo portal sescsp.org.br/piracicaba e nas bilheterias: R$ 17 (inteira), R$ 8 (meia entrada) e R$ 5 (credencial plena).

O espetáculo solo é encenado por Kenan Bernardes, dirigido por Juliana Monteiro, e escrito por Rudinei Borges. Medeia é uma das personagens mais conhecidas da tragédia grega. Seu filicídio é fruto de uma vingança, rebeldia e busca em se apropriar do destino. Já a Medeia de Medea Mina Jeje também luta contra uma sociedade que desintegra sua liberdade. Ao saber que seu filho Age seria perseguido, mutilado e novamente aprisionado à boca de uma mina de ouro, Mede decide sacrificá-lo em uma tentativa de libertá-lo da própria sina. O suplício materno que se desvela na peça configura-se como uma espécie de canto, uma oração que narra, em vozeio, o sacrifício do menino Age.

Medea é a voz de quem grita, em sussurro, sendo portadora duma confiança sui generis e percepção, mesmo intuitiva, da condição de opressão em que vive. Por isso mesmo, também é portadora de uma busca incomensurável pela liberdade, ainda que a saída para chegar a isso seja o alento do sacrifício do filho, para que ele não embrenhe toda a vida na mesma sina de escravidão da mãe. A liberdade surge como imagem metafórica de um mar revolto – as mesmas águas que, à força, trouxe Medea da África distante para o campo rupestre dos cativeiros das minas, a levará de volta (ou o filho) a um reino, onde é possível brincar nos córregos. O espetáculo ainda adentra as mazelas e contradições do Brasil contemporâneo, imerso numa disparada de dissimulação e enlace conservador.

Serviço
Espetáculo Medea Mina Jeje

Dia 14, sexta, 20h.
Teatro. 14 anos.
Ingressos: R$ 17 (inteira) / R$ 8 (meia entrada) / R$ 5 (credencial plena)

Sesc Piracicaba
Rua Ipiranga, 155 – Centro
Telefone: (19) 3437-9292
sescsp.org.br/piracicaba

Assessoria de Comunicação
Sesc Piracicaba

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