Uma viagem no tempo e na história no Museu de Arte Sacra em São Luís

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Fotos: Adilson Zavarize

A história da Igreja no Maranhão tem início no dia da fundação da capital, São Luís, quando os jesuítas celebraram a primeira missa. Desde então, a igreja esteve presente no dia a dia de seus cidadãos nas mais diferentes formas de manifestações e isso pode ser visto hoje no Museu de Arte Sacra do Maranhão, que fica no centro histórico de São Luís, no Palácio Arquiepiscopal, na Praça Dom Pedro ll.

Ao todo, a mostra, que pertence em parte à Arquidiocese de São Luís, possui mais de 400 peças em seu acervo e é composta em sua maioria por obras e objetos de ourivesaria que datam dos séculos XVIII e XIX, incluindo esculturas, peças e imagens utilizados em celebrações religiosas. Ainda hoje, algumas são eventualmente cedidas para uso fora do museu.

Destacam-se no acervo, principalmente as imagens de santos que faziam parte das celebrações e procissões da Semana Santa, também conhecidos como “santos de roca” ou “de vestir”, costume iniciado nos cultos católicos e que teve seu ápice no período barroco, estendendo-se até meados do século XIX.

Para aliviar o peso do conjunto, as imagens dos santos de roca eram entalhadas apenas parcialmente, com acabamento apenas nas partes que deveriam ser vistas pelo público, como mãos, cabeça e pés, enquanto o restante do corpo consistia em uma simples estrutura de ripas ou armação oca que era coberta pela roupa de tecido. A introdução desse tipo de imagem no Brasil data do início do século XVII, sendo utilizada ainda hoje nas procissões da Quaresma no Maranhão.

No Museu de Arte Sacra é possível conferir essa arte de perto e ver como eram adornadas com trajes luxuosos, cabelos naturais, olhos de vidro e adereços de ouro e prata, como coroas, por exemplo.

Outra curiosidade religiosa exposta no museu e que deu origem a uma das mais conhecidas expressões brasileiras são os “santos de pau oco”. Originárias na Europa, na idade média, as imagens eram escavadas para que rachassem menos. Porém, no Brasil, acabou por ter outra utilidade. Segundo alguns historiadores a expressão teve origem em Salvador/BA, com a descoberta de imagens ocas que vinham de Portugal recheadas de dinheiro falso. Há também outra versão mais conhecida que vem do período colonial, onde, principalmente nas regiões mineradoras, as imagens eram usadas para contrabandear diamantes e ouro em pó ou em pedra e, assim, fugir do fisco, quando eram cobrados 20 por cento em impostos (o quinto) pela coroa. No museu, uma das imagens icônicas dessa época é a de São João Batista, que no caso, por ter sido decapitado, sua cabeça era retirada e assim a emenda passava despercebida.

O Museu de Arte Sacra no Centro Histórico em São Luís é uma de nossas dicas. O Museu fica próximo a outros prédios importantes da história da cidade e o valor da entrada é de R$ 2,00. A visita por todo o espaço leva de 50 minutos a uma hora.

Texto por: Cláudio Lacerda Oliva
Fotos por: Adilson Zavarize
Enviados especiais ao Maranhão
Revista QualViagem

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